Painel Apisul & Atvos

A tecnologia é a tinta da parede

O que muda quando o gerenciamento de risco olha para o acidente, não só para o roubo. Inteligência Artificial, Torres Conectadas e o Fator Humano, no palco do Logística do Futuro.

Veja trechos em vídeo dessa palestra e o making of da cobertura completa.

Assistir aos vídeos →
Marco Aurélio Badim
Marco Aurélio Badim
Abertura institucional, Grupo Apisul
Daniel Nobre
Daniel Nobre
Superintendente de Produtos Digitais e Tecnologia, Apisul
Daniel Cunha
Daniel Cunha
Logística, Atvos

Por décadas, gerenciamento de risco no transporte significou uma coisa: evitar que a carga fosse roubada. O painel que reuniu Grupo Apisul e Atvos mostrou outro número tomando a frente dessa conta.

Uma linha caindo, outra parada

Marco Aurélio Badim abriu contextualizando a escala da Apisul: 41 anos de mercado, 1.300 colaboradores, mais de 180 pontos de atendimento nas rodovias e uma base que monitora, em média, 5 milhões de viagens por ano.

Apisul em números

Tamanho da empresa, não é efeito da tecnologia: é escala institucional.

41 anos
de mercado
1.300
colaboradores
180+
pontos de atendimento em rodovias
5 milhões
de viagens monitoradas por ano, em média

É essa base de dados que sustenta o diagnóstico apresentado por Daniel Nobre, superintendente de Produtos Digitais e Tecnologia da Apisul.

"A gente vê com relação ao roubo de cargas uma redução significativa de 2024 para 2025 de 16,7%. Por outro lado, no que diz respeito a acidentes, o número permaneceu praticamente estável, porém o custo dos acidentes subiu astronomicamente, ultrapassando R$ 5 bilhões por ano no Brasil. A cada 8 acidentes, 1 resulta em vítima fatal."

Cenário do setor

Contexto de mercado, não é resultado da solução de Safety da Apisul.

16,7%
queda no roubo de cargas entre 2024 e 2025
R$ 5 bi
prejuízo anual com acidentes no transporte rodoviário
1 em 8
acidentes no setor resulta em vítima fatal

O roubo está sendo controlado. O acidente, não. E é aí que a conversa muda de assunto.

O que acontece quando a solução funciona

Nas operações que contrataram o monitoramento dedicado da Apisul, o resultado aparece em número fechado.

"A gente teve uma redução do número de eventos de 8,4%, o valor de cargas envolvidas nesses sinistros teve uma redução significativa, o prejuízo estimado caiu drasticamente quase 24%. O prejuízo médio por evento caiu 17,4% e as perdas em si caíram 1,4 ponto percentual comparando um ano para o outro."

Resultado da solução de Safety

Operações que contrataram o monitoramento dedicado da Apisul.

8,4%
redução no total de eventos de risco
24%
queda no prejuízo estimado de cargas em sinistro
17,4%
redução no prejuízo médio por evento

Parte desse resultado não é só tecnologia. É resposta rápida no local: a reguladora de sinistros do grupo, a Excel, chega ao acidente antes que a carga seja saqueada.

60 mil litros de etanol por viagem

Daniel Cunha, da Atvos, trouxe a escala do problema real: cerca de 2.500 viagens de etanol por mês, mais 1.500 de açúcar VHP, em caminhões que carregam até 60 mil litros por viagem. Carga perigosa, em volume alto, rodando o país inteiro.

Escala da operação Atvos
2.500
viagens de etanol por mês
1.500
viagens de açúcar VHP por mês
60 mil L
etanol transportado por viagem

"A gente tem o desafio de chegar cada vez mais próximo dos motoristas, porque realmente é ali que faz a diferença."

O sinal que não chega

Existe uma ilusão de cobertura no Brasil: a maioria dos municípios tem sinal de celular, mas trecho de canavial, serra ou área florestal ainda cria sombra.

A Atvos resolveu parte do problema instalando Wi-Fi em suas oito unidades industriais, espalhadas por São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. O caminhão entra no pátio, conecta automaticamente, descarrega vídeo e dado acumulado. Para o trajeto entre usinas, a aposta é conectividade via satélite.

Daniel Nobre foi direto sobre o que isso significa na prática: receber o vídeo com atraso não invalida o projeto de prevenção de acidentes, porque o que importa é reconstruir o comportamento do motorista ao longo da viagem, não reagir a um segundo isolado.

O ponto de atrito: quando o conforto vira risco escondido

Uma câmera de fadiga dispara alerta a cada bocejo de 2 segundos. O motorista se incomoda com o som constante na cabine. O transportador, pra reduzir o incômodo, aumenta o limite para 4 segundos.

"Uma fadiga tá configurada ali: se o motorista tiver um bocejo de 2 segundos, o transportador vai e altera isso para 4 segundos. Ou seja, vai reduzir o número de eventos no papel, porém o risco aumenta se a gente não levar em consideração esses pontos."

O relatório fica mais bonito: menos alertas no papel. O risco na estrada continua o mesmo, só que agora ninguém mais vê.

A resposta da Apisul é não mexer na sensibilidade do equipamento. A régua fica rígida no caminhão, e o excesso de alerta falso é filtrado depois, na nuvem.

A foto é uma coisa, o filme é outra

É a frase que resume toda a arquitetura técnica descrita por Nobre. A plataforma Apisul Integra, em desenvolvimento desde 2006, recebe o vídeo bruto de até 5 câmeras simultâneas e processa em menos de 20 segundos na nuvem, cruzando a imagem com telemetria, velocidade, frenagem, histórico do motorista.

"Uma frenagem brusca isolada pode ser uma manobra defensiva legítima; porém, se combinada a excesso de velocidade e uso de celular minutos antes, o risco é classificado no nível máximo."

Como funciona o Apisul Integra

01

Câmera grava o motorista e a rodovia

02

Vídeo bruto sobe pra nuvem, até 5 câmeras simultâneas

03

IA cruza o vídeo com telemetria dos últimos 30 min: velocidade, frenagem, histórico

04

Sistema gera um score de risco a partir do contexto completo

05

Bino liga pro motorista, ou o caso vai pra um operador humano

Um evento sozinho não diz nada. A combinação, sim.

Quando o sistema decide que algo precisa ser tratado, entra o Bino, agente de voz por inteligência artificial que liga automaticamente para o motorista ou o transportador. Trata o que é rotina. Libera o operador humano para o que exige julgamento.

O fator humano: o que a tecnologia sozinha não resolve

Fechando a apresentação, os dois palestrantes trouxeram o lado que nenhum painel de tecnologia costuma mencionar: saúde e vínculo do motorista.

Sensibilização do motoristaO monitoramento apresentado não como punição, mas como um "Anjo da Guarda" para garantir o retorno seguro do profissional para casa.
Checklist de saúdeVerificação de sono e uso de remédio antes da viagem, encerrada com uma mensagem gravada por um filho, pedindo para o pai dirigir com cuidado.
Suporte psicológico preventivoConsultas periódicas, sempre agendadas no dia de folga do motorista, para não interferir na condução no mesmo dia.
Gestão de consequênciaManutenção constante da frota e uso real dos dados para treinamento, para que a informação gerada não vire só número guardado sem uso.

"A tecnologia é a tinta da parede. Não adianta nada ter uma tecnologia ou uma torre de IA trabalhando se não houver processos estruturados, governança e respeito pelas pessoas por trás da operação."

Daniel Cunha, Atvos

Mini-glossário

Safety
Nome que o mercado deu à prevenção de acidentes de trânsito, em contraste com o gerenciamento de risco tradicional, voltado ao combate ao roubo de cargas.
Falso positivo
Alerta disparado por engano: um bocejo comum, uma sombra, um movimento de cabeça que a câmera interpreta como sinal de fadiga sem ser.
Régua de sensibilidade
O limite configurado no equipamento para disparar um alerta. Quanto mais frouxa, menos alertas aparecem, mas mais risco real passa despercebido.
Apisul Integra
Plataforma da Apisul, em desenvolvimento desde 2006, que recebe vídeo de câmeras veiculares e cruza com dado de telemetria para avaliar o contexto da viagem.

Sua operação ainda mede segurança pelo volume de roubo evitado, ou já olha para o acidente?