O gerenciamento de risco no transporte rodoviário está mudando. Durante anos o foco esteve na prevenção e resposta ao roubo de cargas. O desafio agora é diferente: entender o que acontece dentro da cabine antes que isso vire acidente.
É nesse cenário que a MultiSat, estrutura de gerenciamento de risco do Grupo Apisul, combina monitoramento, telemetria, inteligência artificial e análise de comportamento do motorista.
Segundo Eduardo Domingos, diretor de operações da Apisul, a necessidade mais evidente hoje está na prevenção de acidentes.
A dor mais exposta do mercado hoje é o aumento dos acidentes de trânsito e a necessidade de realizar a gestão comportamental do motorista na prevenção de acidentes.
Muitos motoristas dirigem da mesma forma há décadas, sem nunca terem recebido acompanhamento estruturado sobre seu comportamento ao volante.
O problema não é ter informação, é saber o que ignorar
Em uma operação de grande escala, gerar dado é fácil. Câmeras embarcadas produzem milhares de eventos por dia. Um bocejo, uma sombra, um movimento de cabeça: qualquer um desses dispara um alerta de fadiga que, isolado, não significa nada.
A triagem acontece antes de chegar ao operador:
A central utiliza inteligência artificial na nuvem para realizar a filtragem dos milhares de eventos gerados pelas câmeras embarcadas, eliminando os falsos positivos, como bocejos comuns e sombras. O operador humano recebe apenas os eventos validados de risco elevado.
A tecnologia não decide no lugar do operador. Ela filtra o que chega até ele.
O motorista também pode evoluir
A MultiSat avalia o profissional de outra forma. Em vez de aprovado ou reprovado, o sistema constrói um histórico. Boa conduta ao longo do tempo vira pontuação, e pontuação abre porta.
Condutores com pontuação elevada ganham prioridade para transportar cargas de altíssimo valor. Quem está começando opera em cargas de menor exposição até provar consistência.
O cadastro deixa de ser consulta pontual. Vira plano de carreira dentro da própria atividade.
Da prevenção ao ecossistema
A MultiSat aponta para maior integração entre as camadas da operação: de um lado o gerenciamento de risco tradicional, focado em roubo de cargas; de outro, a gestão logística e a prevenção de acidentes.
O futuro, segundo Domingos, passa por duas frentes: modelos de pontuação por experiência cada vez mais refinados, e uma Torre de Controle Unificada reunindo risco, logística e monitoramento de acidentes em uma única plataforma.
É uma mudança de papel. O gerenciamento de risco deixa de só reagir a eventos. Passa a interpretar padrões, para agir antes que o risco vire perda.
Raio-X: MultiSat
- O que é?
- A estrutura de gerenciamento de risco do Grupo Apisul, focada em prevenção de acidentes além do combate a roubo de cargas.
- Qual problema resolve?
- Câmeras embarcadas geram milhares de alertas por dia. A maioria é falso positivo. A IA filtra antes de chegar ao operador humano.
- Qual a principal inovação?
- Sistema de pontuação por experiência: motoristas evoluem de cargas menores para cargas de alto valor conforme constroem histórico de boa conduta.
- Para onde vai?
- Torre de Controle Unificada, juntando risco, logística e prevenção de acidentes em uma única plataforma.